Coreia do Sul ainda é um camarão entre baleias?
Em artigo de opinião publicado no Korea Times, o professor David A. Tizzard questiona se a antiga imagem da Coreia do Sul como um “camarão entre baleias” ainda representa o país.
Do coelho ao tigre
O autor relembra a escolha do mascote dos Jogos Olímpicos de Seul de 1988. Segundo o texto, integrantes do comitê de criação esperavam usar um coelho para transmitir uma imagem mais amistosa da Coreia, mas a proposta foi substituída por um tigre. O resultado foi Hodori, que se tornou um dos símbolos mais conhecidos daquela edição dos Jogos.
Coelhos e tigres ocupam lugares importantes no imaginário coreano. O artigo cita representações da península, histórias tradicionais e expressões populares para mostrar como esses animais ajudaram a contar diferentes momentos da identidade nacional.
A metáfora do camarão entre baleias
A expressão “quando as baleias brigam, o camarão quebra as costas” descreve o dano sofrido por quem fica no meio de uma disputa entre forças maiores. Ela costuma ser associada à posição histórica da Coreia entre potências como China, Japão, Rússia e Estados Unidos.
Tizzard argumenta que essa imagem perdeu parte do sentido diante da transformação econômica, tecnológica e cultural sul-coreana. Para ele, o país já possui capacidade de tomar decisões próprias e exercer influência internacional, embora continue cercado por potências maiores.
Uma nova imagem
Como alternativa, o autor sugere o golfinho: um animal inteligente, ágil e cooperativo, presente nas águas próximas à ilha de Jeju. A comparação encerra o artigo como uma proposta simbólica para uma Coreia do Sul que deixou de ser apenas espectadora de decisões tomadas por outros países.